Na dúvida não pergunte para o árbitro

Indian Wells começou quente. Na temperatura e nas polêmicas. Só nos primeiros três dias de torneio eu contei pelo menos quatro confusões. Três delas acontecidas em jogos com o mesmo árbitro, o marroquino El Jennati. Outra foi na partida de duplas Bopanna/Qureshi contra os suíços Federer/Wawrinka. As polêmicas, óbvio, aconteceram em momentos em que o desafio foi pedido. Teve até hawk eye que não funcionou.

Os links abaixo, compilados pelo blog Break Point, mostram o quão estúpido foi Jennati. O que mais me intriga é como depois de um erro grotesco no primeiro jogo (Istomin vs Stepanek) ele ainda é escalado para outro. A ATP não tem gente assistindo aos jogos? O responsável pela arbitragem deveria tê-lo advertido e dado uma geladeira no cara. Mas não, no dia seguinte ele comete o mesmo erro bizonho. Mostra que é teimoso e não sabe as regras.

Veja os vídeos no blog do Break Point Brasil.

No caso das duplas foi até curioso (desta vez o juiz acertou) pois a dupla que estava sacando (Bopanna/Qureshi) pediu revisão de um serviço que tinha sido dentro e, na devolução, Federer deu um winner. O que aconteceu é que Bopanna se mexeu na rede e, assim, validou o ponto. Mas não faltou reclamação e sobrou até pro suíço no fim do jogo.

Veja aqui os highlights da partida.

O desafio deveria trazer mais as pessoas pra perto do tênis, uma atração a mais nos jogos. Corrigir injustiças. Só que vem causando outras. Parece q o órgão maior do tênis gosta de complicar as coisas. Dúvidas? Não pode se mexer, tem q levantar o braço na mesma hora, deixar a bola passar… Isso pros top 100. Pra Nadal e cia vale o cara olhar a marca, ter dúvida, pensar, olhar pro box e aí pedir. Ainda é muito nebuloso pro público quando o tenista ainda está apto a pedir a revisão da bola ou não.

Em tempos que a ATP quer simplificar o tênis (como nos casos das duplas) seria bom unificar mesmo a chamada para o desafio. Cada juiz intepreta de um jeito e confusões só tendem a aumentar. 

Há quem goste. Eu não.

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Com quantos limões se faz um lutador?

O que faria, aos 33 anos, Lleyton Hewitt correr tanto ainda dentro de uma quadra de tênis? Depois de ser o número um do mundo com apenas 18 anos, ganhar várias vezes o “Troféu Limão” (nada honroso), ganhar Wimbledon, Australian Open… Depois vem as contusões, queda no ranking, casamento, filhos. Que mais você poderia querer? Hewitt é um exemplo. Amadureceu ao longo dos anos e hoje, se não tem o mesmo vigor e golpes de antigamente (muito devido às lesões), continua extremamente competitivo. “Operário”, prova que consegue jogar em alto nível mesmo aos 33 anos e vai se mantendo naquela linha entre o 50º e o 80º lugar do mundo. Merecia mais. Bem mais.

Apresentação1

Mas é impossível, para mim, não fazer um paralelo com Roger Federer. Contemporâneo, também ex-número 1, também foi um exterminador de adversários no auge. Mas sem 1% da determinação de Hewitt. Nunca sofreu lesões, nunca teve que dar a volta por cima, nunca passou por uma grande provação. Talvez esta agora, de ser “relegado” ao oitavo posto do mundo, seja a primeira. Soa como Federer sempre levou a carreira sabendo ser gênio, que o talento ia guia-lo, não precisaria fazer tanto esforço quanto os adversários.

Aí, encarou Nadal. O que começou como uma grande rivalidade, virou passeio. Teimoso tenta ganhar do espanhol recusando-se a mudar a forma de jogar. Depois vieram Djokovic, Murray e toda uma nova geração que vem babando pelos primeiros lugares no ranking. Nunca esteve tão difícil (pelo menos desde quando eu acompanho tênis há 27 anos) para jovens chegarem. Estão treinando mais, batendo mais. Mas isso é papo pra outro dia.

O que eu gostaria era ver Federer com a gana de Hewitt. Será que voltaria a ser número um? Ou pelo menos top four? Claro, é um exercício de chute, até porque estilos não se comparam. Mas afinal, para que serviria ese blog senão para esses chutes?

Em tempo: no único confronto este ano, Hewitt venceu o suíço e ficou com o título em Brisbane. Mas o jogo que eu gosto de lembrar é esse:

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As azeitonas de Nadal

rio

Qualquer opinião que eu der sobre o Rio Open pode parecer parcial por eu ter vivido o torneio durante nove dias. Mas, é inegável que, diante de tantos problemas que a cidade vem passando e no temor de termos uma Copa do Mundo trágica, o nosso primeiro ATP 500 passou com sobras no teste.

Claro que há questões a serem resolvidas. É óbvio que muita gente ali está na sua primeira experiência em um evento deste porte. E certamente melhorias serão feitas.

O que me incomoda é a falta de disposição de parte do público em aceitar isso. O carioca está num momento em que tudo o impacienta e é motivo de reclamação. Cheguei a ouvir de uma pessoa que frequenta o Jockey que “o evento está fazendo o clube não ser mais dos sócios”. Ou nas redes sociais muita gente – por total desconhecimento – batendo em teclas que acontecem na maioria dos grandes torneios. Ou até uma parte (pequena, ainda bem) da imprensa local jogando contra, fazendo deboche e piada com os possíveis problemas na organização. Criticar? Claro, sempre é válido. Mas quando isso se torna o fim e não o meio fica complicado. Parece coisa da turma do “quanto pior, melhor”.

Só o fato do Rio ter respirado o tênis por uma semana já vai fazer muito garoto pegar na raquete para jogar. Menos que na Gugamania, mas é um momento que não pode ser desperdiçado. Ainda mais se sair o tão esperado complexo na Barra da Tijuca.

O mesmo garoto pôde ver de muito perto Rafael Nadal. Muito simpático com os pedidos de autógrafos e direto com a imprensa que mais uma vez encheu de perguntas dispensáveis (pra não dizer até idiotas) as coletivas. Mas sobre o Nadal falarei depois.

Quem que vive ou gosta do tênis não queria algo do gênero? Imaginem o impacto para as crianças de estar a poucos centímetros do ídolo. Em casa;

E as semifinais? Numa um show de Aleksandr Dolgopolov. Noutra, um jogo de adrenalizar o mais frio dos seres. E tivemos ainda outros ótimos jogos, as duplas, as boas campanhas de Bellucci e Teliana Pereira, etc.

Tenho 100% de certeza que ano que vem o torneio será ainda melhor, muito do que foi reclamado certamente foi ouvido e a torcida é que o Rio Open seja fixado no calendário da cidade por muitos anos.

Espero que o bonde não passe de novo vazio desta vez.

PS: se vc não entendeu o pq do título, clica aí embaixo. Se você continuou não entendendo, vá ler a biografia dele!

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A hora de Murray?

Se o Nadal não chegou o problema é dele. O fato é que Andy Murray se aproveitou disso e finalmente chega a final de Wimbledon. São 74 anos desde que um britânico atingiu a última rodada na grama inglesa.
Tenho isso meio como forçação de barra, uam vez que Murray é escocês e esse negócio de “britânico” serve pra gente. Entre eles o buraco é mais embaixo. Mas nesse caso, para eles, está valendo.
A verdade é que seria uma decepção muito grande se Murray não chegasse à final. Apesar de Tsonga estar batendo na trave há tempos, era inegável que havia um clima de “é agora” em Londres. A vitória de 3 a 1 foi incontestável.
Não gosto dessas coisas de “pode ser uam virada na carreira”, por que geralmente dá errato. Mas quem sabe se chegar a uma final em Wimbledon não dá um nó – no bom sentido – na cabeça dele e o escocês não sobe um degrau?
Sobre a final, não poderia haver mais discrepâncias. De um lado, um tenista recordistas em títulos e mais do que consagrado. Do outro um cara que, mesmo estando entre os quatro melhores há anos, precisa ainda de um título de expressão para firmar o nome. Se bem que Federer está num processo de recuperar a coroa do tênis.
Não importa, vai ser um jogaço.
Na lógica, dá Federer 3 x 0. A minha torcida é Murray, 3 a 2.

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A tradição que não se encerra

Joelhos mais flexionados, quiques irregulares, sai o top spin e entra a batida chapada… Isso é Wimbledon. Imbatível no quesito tradição, empatado com Roland Garros em charme, vê seu piso, a grama, espremido em uma pequena faixa de calendário que não dura mais que um mês. Uma pena se pensarmos que há algumas décadas eram dois os Grand Slams jogados na grama (o Australian Open também).
O alto custo, combinado com a falta de jogadores de saque e voleio fizeram que a temporada sobre o “pasto” (como era “”carinhosamente”” chamado pelo Fernando Meligeni) fosse reduzido ao mínimo possível para que não seja extinto. Coisa que só não acontece devido a Wimbledon.
E o mais curioso é que este ano teremos “dois” Wimbledons, já que a chave de tênis nas Olimpíadas também será nas mesmas quadras do Slam inglês.
E aí vê-se um paradoxo. Ouve-se que os tenistas estão mais empolgados que nunca para o torneio de tênis olímpico. Ou seja, é porque é Wimbledon. Que acabem os torneios na grama, mas mantenham Wimbledon.
O que mais me dá tristeza é ver que antigamente a quadra se desgastava tanto na área de saque quanto próxima à rede. Hoje em dia, só mesmo na base que a grama vai sumindo. Pete Sampras faz falta nessas horas.
Favoritos? Os mesmos de sempre.
Brasileiros? As eliminações de sempre. Pelo menos o Bellucci joga na quadra central amanhã contra o Nadal.

PS: fica estranho né? Há alguns dias falei que os saibristas de primeira linha estão sumindo. Hoje os “gramistas” já não existem mais. Está todo mundo igual. Mesmo jogo, mesma tática. Muito chato.

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Méritos? Sim. Mas calma.

Não é preciso ser um gênio para saber que Rafael Nadal iria vencer Roland Garros com um pé nas costas. Por alguns motivos: 1) um é que o espanhol tem o que um jogador de saibro precisa que é chegar em todas as bolas, devolver ataques com bolas que minem o adversário, um ótimo contra ataque, e uma determinação fora do comum.
2) a falta de adversários.

A ATP vem diminuindo a velocidade do circuito. Até a grama de Wimbledon está mais lenta. Mesmo assim, numa enorme contradição, os jogadores nativos da terra estão cada vez mais raros. Os de bom nível, claro.

Quem poderia fazer frente a Nadal na terra, além de Djokovic e Federer? Ferrer? Vocês viram o que aconteceu. Almagro? Poupem-me. Os demais são jogadores de superfícies duras e sem jeito pra lentidão do saibro. Mesmo Djokovic, quando endureceu o jogo, pareceu fazer isso no limite máximo mental e tático.

Por isso, esse recorde, apesar de ser significativo, me soa um pouco como o hepta do Schumacher na Fórmula 1: mais por falta de adversários do que méritos.

Lembremos do povo que Bjorn Borg tinha que enfrentar.

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Mais do mesmo em Paris

O primeiro dia nem conta muito. Foi uma espécie soft opening. Ontem que Roland Garros começou de verdade. E sem muitas novidades. Na prática, nenhuma.  Não acredito em zebras até as oitavas de final, quando o nível fica um pouco mais alto.

O que não mudou mesmo (e parece que não vai mudar tão cedo) é a forma como os brasileiros se relacionam com os Grand Slams. Ou seja, com derrotas. Já tinha achado muito a classificação e Rogério Dutra Silva para a chave principal e quando olhei que pegaria o John Isner era fácil projetar um 3 x 0 para o americano. De todos, achava que o Feijão pudesse passar, mas uma contusão o tirou mais cedo da partida contra o alemão Cedrik Stebe. O Bellucci? Bom, o Bellucci foi o de sempre. Errático, irregular, sem paciência, sem força, irritante Pra mim é caso perdido. O lugar dele é mesmo ali entre o 60º e o 70º do ranking. Falar em Top Ten é coisa de gente irresponsável.

O que mais me assusta é a fragilidade dos brasileiros. No jogo do Ricardo Melo contra o Tsonga em Melbourne e agora do Dutra Silva contra o Isner  parecia o jogo de uma formiga querendo matar o gigante com uma pena.  Ok, no Australian Open, Melo teve bons momentos. Mas o que me impressiona é a diferença da potência dos golpes. Era um tiro de canhão atrás do outro contra uma bola de gude como resposta.

E qual o problema? Base. Treinamento. Parece óbvio, não? Mas o intercâmbio é a chave para termos jogadores mais fortes, mais preparados. Gostaria muito de ver como anda do trabalho do Emílio Sanchez. Achei a idéia ótima da CBT, mas parece que ninguém fala mais nada.

Voltando a RG 2012. Nadal leva fácil.

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