Complexo de vira lata

Agosto 14, 2008

 

A verdade é essa: os tenistas brasileiros não inspiram confiança em ninguém. Talentosos? Ok. Mas só isso não é suficiente. O Belucci, por exemplo, ressucitou o Hrbaty que há séculos não ganhava de ninguém. Do Daniel, nem falo mais.
Chegaram ao top 80 graças aos challengers. Vitórias em ATP Tours? Pouquíssimas. Enquanto isso, vamos vendo gente chegar junto, de ranking até menor, aos grandes e pelo menos encarando.
Quando vamos parar de dizer “nossa, o belucci deu trabalho para o Nadal”?

Façam-me o favor!!!!!!!

Abril 11, 2008

Depois reclamam. Não dá. Decididamente não dá. A nossa “grande esperança” no tênis acaba de perder um jogo GANHO contra o fraquíssimo Santiago Giraldo, por 3 a 2, depois de estar vencendo por 2 a 0. O cara fica duas semanas se preparando pra Davis e perde por causa de cãimbras?!?!?!?!?!
Vi até o 2 a 0 e por motivos de trabalho tive que sair de casa. E qual não foi a minha surpresa ao chegar e ver o placar parcial do jogo. Aliás, que jogo chato, apenas as enfadonhas trocas de pancadas do fundo de quadra, como bem disse a Maria Ester Bueno, ninguém tentava nada. E como deu saudades do Guga ao vê-lo de fora apenas assistindo à pelada.
Melhor nem falar nada e esperar o Daniel empatar o confronto.
Pobre tênis brasileiro.

O distante Brasil Open

Fevereiro 3, 2008

Em pleno carnaval vi uma chamada para o Brasil Open na tevê. Desde o primeiro ano do torneio eu nunca consegui achar muita graça nele. Para mim, eventos assim servem mais para os tenistas aproveitarem o sol do litoral baiano do que para jogar tênis. Se não for isso, alguém me explica os porquês do Moya ter perdido DUAS vezes seguidas na primeira rodada.
Nunca achei graça por que primeiro as chances atuais de um brasileiro ganhar o torneio são ínfimas (ok, o Guga ganhou duas vezes, mas em ambas já não estava no melhor da forma). Segundo por que, e para mim o maior problema, é disputado num lugar praticamente inacessível para o grande público.
Tênis no Brasil ainda é esporte de elite. Durante a transmissão de um jogo do Federer no Australian Open, o Paulo Cleto contou que a maioria dos top 10 já foram pegadores de bola na infância. E depois soltou o seguinte – muito pertinente – comentário:
“Vocês imaginam isso aqui? O que acontece é o pai de um jovem tenista dizendo ‘meu filho ser pegador de bola?’”.
Pois é.
Torneios feito o Brasil Open jamais poderiam ser jogados num lugar como o Sauípe. Se é urgente uma renovação do tênis nacional, isso passa pelo contato de crianças com nomes importantes do esporte. Eu sempre me questiono porque o torneio não é disputado em uma capital, ou cidade grande do país. Isolado na costa baiana, ele é um artigo de luxo para poucos que podem pagar o pacote. Assim como era no finado GP de Itaparica.
Agora imaginem BO sendo jogado em São Paulo, Rio de Janeiro ou Porto Alegre? Mais público, mais interesse da imprensa. Imaginem, também, uma promoção ainda de uma academia de tênis ou de uma escola pública? Num dia, levariam os alunos para sentir o clima de um torneio, explicando que estão ali nomes de peso do cenário internacional, que o Nadal e o Guga já foram campeões, e etc. Posso estar sendo ingênuo, mas acredito mesmo que o impacto seria bem maior, despertaria mais a curiosidade das crianças e, quem sabe, a vontade de praticar o tênis.
Pode ser utópico, mas longe como o Brasil Open está hoje em dia, não presta para um dos que deveria ser seu papel principal, que é ajudar a difundir o esporte no Brasil.
E continuemos a rezar para aparecer outros fenômenos como Guga e Maria Esther Bueno.