Porém, confesso que me surpreendi. Na verdade, eu achei que a dupla brasileira teve mais dificuldade do que deveria. Depois de mais um tie break perdido, tudo caminhava para uma vitória rápida. Mas demos bobeada no quarto set e os croatas empataram.
Bellucci até que lutou muito. Só que o saque do Karlovic definiu a partida. Se antes eu dava 30% para vitória brasileira se o confronto tivesse sido no saibro, hoje eu daria 50%. Jogamos bem, tivemos pouca sorte.
Agora devemos esperar. Se pegarmos Colômbia ou Canadá na chave vamos jogar fora. Equador (de Nicolas Lapenti que quando quer joga muito) e uruguai será em casa.

 

Na entrevista que o capitão do time brasileiro cedeu ao site da ITF e reproduzida pelo Tenisbrasil (http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/davis/ultnot/ult500u2632.htm), Chico Costa não se decidiu se há esperança ou o confronto contra a Croácia é mais uma chance dos nossos tenistas ganharem mais experiência.

Confira alguns pontos:

“(…) nunca ganhamos nesta superfície, mas talvez seja a hora, contra a Croácia, ou um pouco mais para frente”.

É a hora? Vamos pra cima deles, ou já entramos derrotados???

“Acho que estaremos aptos a jogar nosso melhor tênis, porém, quando você encontra oponentes mais fortes, às vezes não dá”.

Então nem se Bellucci e Thiago resolvam jogar tudo que sabem e mais um pouco não vai dar?

Aí depois ele pira:

“Vamos tentar ganhar os três primeiros pontos e ficaremos satisfeitos no domingo se já estivermos com três vitórias”.

Três a zero neles é demais. Enlouqueceu, provavelmente.

Mas aí…

“Mais importante que o resultado é que viemos para dar o nosso melhor”,

O “nosso melhor” não garante a vaga para a elite do tênis mundial.

Ô maldito complexo.

Complexo de vira lata

Agosto 14, 2008

 

A verdade é essa: os tenistas brasileiros não inspiram confiança em ninguém. Talentosos? Ok. Mas só isso não é suficiente. O Belucci, por exemplo, ressucitou o Hrbaty que há séculos não ganhava de ninguém. Do Daniel, nem falo mais.
Chegaram ao top 80 graças aos challengers. Vitórias em ATP Tours? Pouquíssimas. Enquanto isso, vamos vendo gente chegar junto, de ranking até menor, aos grandes e pelo menos encarando.
Quando vamos parar de dizer “nossa, o belucci deu trabalho para o Nadal”?

Mais do mesmo

Maio 29, 2008

Estive viajando e com o trabalho não deu para atualizar isso aqui. Se bem que dizer mais qualquer coisa sobre a despedida do Guga seria cair em lugar comum. Já disse muito sobre ele mais abaixo.

Também por conta de trabalho vai ser difícil assistir a Rolland Garros, não pude acompanhar jogo algum até agora. Li sobre a derrota de Bellucci e acompanhei a eliminação de Daniel para o Malzer via internet.

A despedida do Guga marca o retorno à realidade. Não acredito mesmo que tenhamos um top 30 em curto prazo. Já comentei aqui também que não se trata nem da questão de discutir talento. Tênis não é um esporte difícil e com treinamento e dedicação dá para fazer bonito.

O que falta a nós é cabeça. É um problema cultural, a “síndrome de vira lata” que nem tendo heróis como Guga conseguimos nos livrar.

Bellucci entrou derrotado contra Nadal (ok, era quase impossível vencer o espanhol) e a imprensa trata como “resultados significativos” vencer challengers e chegar a segunda ou terceira rodada de um Grand Slam.

Guga merecia um legado maior.

PS: Em tempo. Nalbandian perdeu pro 134º do mundo hoje.

Lá vem bomba!

Abril 16, 2008

Agora, pegar a Cróacia é desanimador. Seria a sorte suprema um Israel ou uma Coréia na repescagem. Aí diria que estaríamos no Grupo Mundial, até porque perder pra algum desses dois é pedir pra fechar as portas da CBT.
Mas lá vem a Cróacia. Ou melhor, lá vamos nós. Já digo de cara: 5 a 0 pra eles. Talvez tenhamos uma chance nas duplas, mas é muito difícil. Lá, o piso será rápido mortal para nós contra os saques de Ljubicic (que não vive um bom momento, mas é muito bom tenista e adora um carpete), Ancic e do gigante Ivo Karlovic.

Não vai dar. Mesmo com a boa fase de Marcos Daniel, não dá para confiar. E Thomaz Belluci foi uma decepção em Sorocaba.

Segunda divisão em 2009 de novo. Vai ser assim. Batendo e voltando até que consigamos um bom time para disputar o Grupo Mundial.

 

Pois bem. Saíram os convocados para os jogos contra a Colômbia pelas semifinais do Zonal Americano da Copa Davis. Ninguém esperava algo diferente de Marcos Daniel , Thomaz Bellucci e a dupla sensação André Sá e Marcelo Melo. Não pq tenham excelentes rankings ou grandes resultados, à exceção da dupla que vêm dando alegria, é o que temos de “melhor” mesmo. Com muitas aspas.
Os jogos acontecem entre os dias 11 e 13 de abril e mesmo não tendo tradição no tênis, não vai ser nada fácil ganhar dos colombianos. A saber Alejandro Falla, 88 do mundo, e Santiago Giraldo, 169º, este mais afeito às quadras duras.
Coloquemos um ponto para nós na dupla. ok, 1 a 0. Acredito que tanto Daniel quanto Belluci percam para Falla. O Daniel não me convence de jeito algum e não sei se Bellucci vai se comportar em provavelmente abrir o confronto contra o número 1 deles. Dois a um para eles. Aí o fiel da balança vai ser logo o segundo jogo do primeiro dia (geralmente entre o primeiro local e o segundo visitante), entre Daniel e Giraldo. Se Daniel ganhar, aí temos grandes chances de chegar no último dia precisando de uma vitória. Dois a dois.
Caso Daniel realmente não consiga passar por Falla, aí Bellucci vai ter que decidir a parada na última partida.
Não aposto em nada nesse jogo.
Claro que tudo isso é no “chutômetro”, mas é bom ganhar os dois jogos contra Giraldo. Senão…

Tá difícil…

Fevereiro 21, 2008

Depois de uns dias de folga, aqui estou eu de volta. Nem a minha passagem pela loja do Guga em Floripa me animou quanto ao tênis brasileiro. A situação é muito ruim e todo mundo trata como se fosse algo passageiro, uma entresafra, a espera de um novo “surfista do saibro”.

Bom, vamos ao que interessa:

Guga no Sauípe.

Não vi o jogo. Estava ocupado e confesso que não consegui prestar atenção no que estava fazendo pensando em como estaria nosso tricampeão de Rolland Garros. Mas, na verdade, eu achei depois até bom não ter visto. Que o Guga de hoje não é sombra do que foi anos atrás, isso está todo mundo cheio de ouvir, mas o que dá tristeza é a forma como ele vinha (não) jogando. Era muito sacrifício, a mobilidade que nunca foi o seu forte, estava cada vez pior e, com isso, sua segurança, seus golpes, até mesmo seu poderoso saque foram sendo minados. Mas não quis ver pois provavelmente ia dar um nó na garganta ao vê-lo chorar pedindo desculpas por não conseguir jogar mais.
Desculpas? Desculpas devem uma parte do povo brasileiro que não sabe tratar dos seus ídolos. Que na primeira derrota já coloca um peso sobre eles. E disparam besteiras “não joga nada”, “era só fogo de palha”. Já cheguei ao ponto de ouvir um idiota dizer que o Meligeni era muito melhor, só não teve a SORTE que o Guga teve.

Guga em 97.
Enfim, o Guga foi responsável por um dos momentos mais bacanas da minha vida. Em 97, morava em Juiz de Fora (não sou mineiro, mas fazia faculdade lá) e meu apartamento estava cheio de amigos que tinha ido do Rio para me visitar. Era um domingo de manhã. Ou seja, todo mundo meio que de ressaca, tínhamos dormido tarde. Enfim, o que todo jovem faz num sábado a noite.
Só que eu acordei cedo, tomei café e liguei a tv da sala. Não estava nem aí se ia acordar todo mundo. Por sorte, um dos meus amigos também jogava tênis e queria assistir ao que poderia ser um momento histórico do esporte nacional e das nossas vidas porque não? Afinal, estávamos acostumados a torcer para ídolos que não falavam a nossa língua. Ou no máximo, sofrer nas Copas Davis da vida.
E ele ganhou. Parecia que a gente tinha vencido uma copa do mundo de futebol. Dali, pensei, inutilmente, que o tênis brasileiro tomaria outro rumo. Tinha tido até uma ponta de inveja (branca, diga-se) de ver um sujeito com as mesmas condições que eu, mesma idade, chegando lá onde nenhum de nós poderia supor chegar.
Só que nada mudou. Vieram sim mais títulos, conquistas, grandes vitórias, mas e depois? Depois, vem o que está aí embaixo e que me dá certeza de que o nosso buraco não está nem perto de ser tampado.

Tenisbrasil:
Bellucci encerra jejum brasileiro de 7 meses sem vitórias em ATP

“Thomaz Bellucci conquistou em Buenos Aires a sua primeira vitória em eventos ATP, e de quebra acabou com o jejum brasileiro de sete meses sem vitórias na chave de simples em torneios de primeira linha. (…) A última vez em que um brasileiro havia anotado uma vitória em ATP foi julho do ano passado, quando Ricardo Mello derrotou o francês Gael Monfils em Indianápolis. (…) O nosso atual número 1, Marcos Daniel, não vence em ATP desde meados de 2006. (…) Em entrevista ao Tenisbrasil na Costa do Sauípe, Léo Azevedo afirmou que só imagina o garoto no top 100 no final de 2009.”

Esse é o nosso presente. Agora o que mais me chama atenção é o que vem a seguir, em outra matéria:

Bellucci fica satisfeito por campanha e ganha elogios de Chela

“O paulista Thomaz Bellucci parou na segunda rodada do ATP de Buenos Aires, nesta quarta-feira, mas ficou contente com a forma com que encarou o argentino Juan Ignacio Chela, atual 25º do ranking e com quatro títulos de primeira linha no currículo”.

Uau! Parece que ele perdeu para Bjorn Borg nos áureos tempos do sueco. Acredito mesmo que o Bellucci seja nosso principal nome no momento. Tem um grande potencial, mas para mim padece daquele que é exatamente o que o Guga não tinha: falta de ambição.

Já vem gente dizer: o garoto é novo! deixa ele jogar! e etc.

Ok, Nadal, Roddick, Hewitt, Djokovic e agora o Tsonga com muito menos idade já faziam estragos.

“Ah, mas esses são fora de série”, dirão outros.

Bom, quando eles apareceram muita gente apostou que logo, logo (tirando agora Tsonga que ainda tem um caminho a percorrer) iriam cair, sumir. Pois bem, tirando o Hewitt, que agora dá sinais de recuperação, os demais estão lá, firmes e fortes, consolidando a cada dia a posição no ranking. E sabem por que? Por que tomaram muita pancada no início. Perderam jogos, aprenderam com os erros e treinam muito. Tiveram contato com grandes tenistas desde cedo. Aprenderam a focar na vitória logo, a não admitir erros e buscar sempre a perfeição.

Aqui no Brasil é esse paradoxo. Tem-se muito cuidado, até exagerado na hora de burilar um garoto feito o Bellucci e quando ele chega lá todo mundo desde a porrada quando ele perde.

Ora, o que ele precisa é ir pros grandes torneios, tomar porrada, perder, fazer o que fez em Buenos Aires, encarar um tenista NADA DEMAIS e botá-lo para correr. Mas e agora? Ele provavelmente vai voltar para o Brasil, jogar um challenger aqui, outro ali, ficar se iludindo achando que ganhar de um 450º do ranking é bom.

Não é jogar o moleque às feras. Mas pegar uns 4, 5 garotos,financiar, dar suporte, buscar convites em torneios ATP. Até jogar torneios pequenos lá fora, mas sempre com o foco nos grandes. A experiência, o contato, a troca de informações é vital para a formação de grandes atletas. Por que Gugas não dão em árvores.

Senão, a gente vai ficar vendo Flávios Sarettas, Marcos “Daniels”, Thiagos Alves se gabando de conquistar challengers. Por favor, me poupem.

É difícil CBT?