De Bandeja

Setembro 23, 2008

A Argentina entregou hoje o título da Copa Davis desse ano. Antes mesmo de qualquer confronto, os hermanitos praticamente definiram que a final contra os espanhóis será no saibro de Buenos Aires.
Alguém acredita que Rafael Nadal perca uma partida de cinco sets no saibro? E duas? Aí sobram três pontos que a Argentina precisa fazer. Ganhar duas de Ferrer? Difícil. Principalmente Del Potro. Na dupla acredito mais na Argentina. Deve dar um 3 a 2 daqueles.

Porém, confesso que me surpreendi. Na verdade, eu achei que a dupla brasileira teve mais dificuldade do que deveria. Depois de mais um tie break perdido, tudo caminhava para uma vitória rápida. Mas demos bobeada no quarto set e os croatas empataram.
Bellucci até que lutou muito. Só que o saque do Karlovic definiu a partida. Se antes eu dava 30% para vitória brasileira se o confronto tivesse sido no saibro, hoje eu daria 50%. Jogamos bem, tivemos pouca sorte.
Agora devemos esperar. Se pegarmos Colômbia ou Canadá na chave vamos jogar fora. Equador (de Nicolas Lapenti que quando quer joga muito) e uruguai será em casa.

Recomeço?

Maio 14, 2008

Teremos um duelo pra lá de interessante nas oitavas do Masters de Hamburgo. Estarão frente a frente dois ex-número 1 do mundo que vivem momentos parecidos na carreira.

É inegável que Carlos Moyá é favorito. Apesar de ter caído muito ainda ficou no grupo dos 20, 30 melhores. Hoje é o 11º cabeça de chave do torneio. É aquele típico espanhol: troca de bolas, não arrisca muito, mas pelo menos é mais técnico que figuras deprimentes como o Tommy Robredo, que além de chato é uma figura lamentável, segundo os próprios tenistas.

Safin, pelo contrário, caiu feito um bêbado na ladeira. De grande rival de Guga no saibro europeu, foi pra quase 100º do mundo. É, pra mim, um dos mais talentosos do circuito. Grande saque, belo backhand, repertório completo de jogadas. Mas, como todo bom russo, adora a tal da “aguinha”, não perde uma festa e isso se reflete no seu jogo. Também viveu às voltas com contusões.

Torço para Safin sempre que o vejo jogar e amanhã não será diferente. Ele encarou com humildade o qualifying de Hamburgo e vem embalado. Vamos ver o que ele apronta pro mais regular Moyá.

Mas que seria bom ver o russo de volta ao top 20, e quem sabe, top 10, seria. Hoje infestado por jogadores insossos como Davydenko e Vawrinka.

Pois é, sou chato mesmo. Agora que eu quero ver até onde nossos primeiros no ranking vão querer chegar. Se todo mundo acha que a fase dos dois é ótima e etc, pra mim nada começou. O que Marcos Daniel e Thomaz Belluci fizeram até agora é muito pequeno pra imensidão do circuito do tênis.

Explico: ambos vêm de bons resultados em torneios pequenos lá fora. Daniel chegou entre os 80 do mundo e Belluci vem firme pra entrar no top 100. Mas daqui pra frente os dois terão desafios maiores. É hora de ver o que eles pretendem.

Ambos têm ranking para disputar ATPs, no caso de Daniel, até para Grand Slams. O gaúcho está classificado para a chave principal de Rollad Garros, enquanto que o paulista entra como cabeça de chave no qualifying e tem boas chances de chegar entre os 128 que disputam o título do torneio.

Mas e então? A pergunta que eu faço é: vão continuar vivendo de challengers? Ou vão arriscar em torneios maiores, pegando gente graúda, correndo o risco de cair no ranking, mas também, em caso de bons resultados subir e ganahr mais respeito no circuito?

É a partir daí que a gente vai ver quem são os nosso dois melhores tenistas do momento. Se vão encarar ou vão continuar entre os pequenos.

“O esporte que o meu irmão ama, mas que eu não consigo entender”
“Por que depois do 30 vem o 40 e não 45?”
“Não consigo curtir tênis”
“Eu acho muita frescura esse negócio de não poder fazer barulho”

Ao longo de 22 anos jogando tênis essas foram algumas das milhares de frases que eu ouvi sobre o esporte que eu mais gosto.
Quando comecei a jogar tênis, estava em Erlangen, na Alemanha, no auge da era Boris Becker, um pouco antes da chegada de Michael Stich. Ou seja, tênis era o esporte número um do país, recém derrotado pela Argentina na final da Copa de 86.
Além de Becker, havia Lendl, Edberg, Wilander, Leconte, Noah… Logo surgiriam Agassi, Sampras, enfim… só gente que sabia o que fazia em quadra. Categoria pura. Assim é mais fácil atrair um moleque pra quadra.
Hoje em dia, a qualidade está lá embaixo. Como eu já disse aqui, não tenho muita paciência para assistir a jogos preliminares dos torneios da ATP. Começo a acompanhar a partir das semi, ou quando há algum jogo de tenistas que eu considere interessantes. Desse grupo você tira argentinos (menos o Nalbandian), os espanhóis (menos o Nadal), Davidenko (chatíssimo), entre outros. Só para ilustrar, o jogo de ontem entre Cañas e Andreev perdia pras peladas que disputava nos meus áureos tempos. Ô jogo horrível!
Tudo isso para chegar ao ponto que eu e um amigo com quem jogo tênis estávamos discutindo, deliberando, viajando eu diria, sobre como o tênis poderia se tornar mais atrativo para o grande público, leigo no esporte. Tirando o futebol, que está enraizado em todo o planeta, alguns esportes, como o vôlei, mudaram regras e tiveram um aumento de audiência na TV e de público nos ginásios.
Vamos ver se você concorda com alguma das nossas alucinações:

1) Fim do segundo serviço. Essa eu defendo há muito tempo. Tendo uma só chance o sacador só teria duas alternativas: ou botar a bola na quadra ou enchê-lo de efeito tornando os games de saque mais equilibrados e competitivos.

2) Mudança na pontuação. Ninguém é obrigado a saber que a pontuação vem de remotas épocas em que se jogava um tipo de esporte que seria o protótipo do tênis, e que cada ponto jogado uma equipe avançava quinze passos, depois mais quinze, dez e aí fim de game. Algo mais simples, 1,2,3, ou 10, 20, 30, enfim, algo que aproxime o leigo do que está acontecendo em quadra.

3) Mudança nos games. Essa está ligada à de cima. Você faz 4 pontos (15, 30, 40, game), vence o game e aí tem que fazer isso seis vezes para ganhar um set. Se for num Grand Slam, faça isso três vezes e você ganhará a partida. Longo? Complicado? Não para mim que joga esse troço há um tempão. Mas pergunta pra tua tia que não sabe nem quem é o Alexandre Pato se ela vai entender. Que tal disputas em Tie Breaks? Melhor de 11 tiebreaks, ou games mais curtos? Quando era moleque e a quadra estava lotada, fazíamos disputas em tiebreaks para todo mundo poder jogar sem esperar muito. Era mais dinâmico e divertido.

4) Fim da vantagem no 40 iguais. Essa já existe nos torneios amadores. O recebedor escolhe o lado que vai receber o saque no 40 iguais. O que diminui no tempo de jogo é uma beleza.

Coloquei só quatro, as mais plausíveis, para ninguém se assustar. Se daria certo eu não sei, mas talvez fosse divertido assistir a alguns testes.

Agora, alguém acredita que a ATP ou a ITF vão mudar algo?

PS: claro que mudança alguma dá resultado se você não tiver ídolos. E isso aqui no Brasil tá difícil… muito difícil.

 

Pois bem. Saíram os convocados para os jogos contra a Colômbia pelas semifinais do Zonal Americano da Copa Davis. Ninguém esperava algo diferente de Marcos Daniel , Thomaz Bellucci e a dupla sensação André Sá e Marcelo Melo. Não pq tenham excelentes rankings ou grandes resultados, à exceção da dupla que vêm dando alegria, é o que temos de “melhor” mesmo. Com muitas aspas.
Os jogos acontecem entre os dias 11 e 13 de abril e mesmo não tendo tradição no tênis, não vai ser nada fácil ganhar dos colombianos. A saber Alejandro Falla, 88 do mundo, e Santiago Giraldo, 169º, este mais afeito às quadras duras.
Coloquemos um ponto para nós na dupla. ok, 1 a 0. Acredito que tanto Daniel quanto Belluci percam para Falla. O Daniel não me convence de jeito algum e não sei se Bellucci vai se comportar em provavelmente abrir o confronto contra o número 1 deles. Dois a um para eles. Aí o fiel da balança vai ser logo o segundo jogo do primeiro dia (geralmente entre o primeiro local e o segundo visitante), entre Daniel e Giraldo. Se Daniel ganhar, aí temos grandes chances de chegar no último dia precisando de uma vitória. Dois a dois.
Caso Daniel realmente não consiga passar por Falla, aí Bellucci vai ter que decidir a parada na última partida.
Não aposto em nada nesse jogo.
Claro que tudo isso é no “chutômetro”, mas é bom ganhar os dois jogos contra Giraldo. Senão…

Não gosto de challengers. Pra mim é coisa de tenista em início de carreira, lá pros 300 e tantos do ranking. Mas nossos tenistas adoram jogar um e se é assim o jeito é torcer do mesmo modo.

Em Santiago, Thomaz Belluci vai confirmando sua escalada lenta e gradual no ranking ao chegar na semi após arrasar o espanhol Ruben Ramirez Hidalgo por 6/4 e 6/0. Lembrando que Hidalgo tem um ranking melhor que Belucci e já figurou entre os 50 do mundo.

Ele enfrenta um outro brasileiro, João Souza, o “Feijão”, que eliminou o italiano Simone Vagnozzi (será que ele também fez uma apostinha?) por 7/6 (7/1), 6/7 (3/7) e 6/2. Outro garoto que vai colhendo alguns bons resultados nesse início de carreira.

Isso já garante um brasileiro na final contra um argentino que sai do jogo entre Diego Junqueira e Eduardo Schwank.