Pequena, mas enfim, uma luz lááááá no fim do túnel
Fevereiro 29, 2008
Não gosto de challengers. Pra mim é coisa de tenista em início de carreira, lá pros 300 e tantos do ranking. Mas nossos tenistas adoram jogar um e se é assim o jeito é torcer do mesmo modo.
Em Santiago, Thomaz Belluci vai confirmando sua escalada lenta e gradual no ranking ao chegar na semi após arrasar o espanhol Ruben Ramirez Hidalgo por 6/4 e 6/0. Lembrando que Hidalgo tem um ranking melhor que Belucci e já figurou entre os 50 do mundo.
Ele enfrenta um outro brasileiro, João Souza, o “Feijão”, que eliminou o italiano Simone Vagnozzi (será que ele também fez uma apostinha?) por 7/6 (7/1), 6/7 (3/7) e 6/2. Outro garoto que vai colhendo alguns bons resultados nesse início de carreira.
Isso já garante um brasileiro na final contra um argentino que sai do jogo entre Diego Junqueira e Eduardo Schwank.
Ainda há gás?
Fevereiro 29, 2008

Essa é a pergunta que eu me fiz ao ler em alguns sites da iminente queda de Flávio Saretta no ranking da ATP. Queda não, é daqueles tombos que devem doer um bocado. O ex-número 1 do país e ex-top 50, defendia o vice-campeonato do challenger de Bogotá, precisamente 63 pontos, e após desistir da competição ele deve cair para o 480º posto.
Segundo ele, que ficou seis meses parado após uma lesão, é uma decisão acertada:
“Estou consciente da perda de pontos e da queda no ranking, mas decidi dar um passo atrás nesse momento para dar dois para frente num futuro próximo. Depois de Bogotá não tenho mais pontos para defender e estando 100% tenho certeza de que só vou somar e ficar mais próximo do meu objetivo que é voltar ao Top 100″.
Aí que fica a minha pergunta lá do título. Ainda há gás? Saretta não é um veterano, mas também está longe de ser um garoto. Aos 27 anos, ele vê a ascensão de Thomas Belucci, de apenas 19, num mundo em que os tenistas cada vez mais jovens despontam.
Ele terá que recomeçar a carreira, voltar a disputar torneios de baixa pontuação para começar a galgar os difíceis degraus do ranking. Mas quanto tempo isso levará? Saretta diz que o objetivo é voltar ao Top 100 e isso mesmo para a temporada 2009 teria que vir acompanhado de resultados que o próprio não alcança há anos. Isso se ele não tiver mais lesão alguma que o faça ficar parado algum tempo. Hoje, ele está em 299º do ranking. Vai perder mais de 100 posições.
Não custa torcer, mas eu acho muito pouco provável.
Alguém para torcer.
Fevereiro 29, 2008

Depois de um começo de ano nada bom, parece que Marcelo Melo e André Sá voltaram à boa forma. Levaram o Brasil Open e agora estão nas semi em Memphis, depois de atropelarem Sam Querrey e Vincent Spadea por 6/1 e 6/4, em rápidos 48 minutos.
Pouca gente no Brasil, ou quase ninguém, dá atenção aos jogos de duplas, a não ser na Davis. Por isso, eu lamentei tanto a não ida de Melo para os jogos contra a Áustria, ano passado. Ele e Sá seriam os favoritos a marcar um ponto para o Brasil e aparecendo, tendo resultados, poderiam de alguma forma ajudar nesse árido recomeço do tênis no Brasil. Dois caras desconhecidos ganhando lá fora é um belo motivo para incentivar os moleques daqui a pegarem na raquete. Os dois representam algo que falta ao nosso tênis: alguém para torcer.
Espero que os dois estejam em quadra contra a Colômbia, pela Davis, em Sorocaba.
Com a vitória em Memphis os dois ficam muito perto do Top Ten em duplas e marcham firme para o Masters no fim do ano. Isso sim seria a consagração.
Como são chatos!!!
Fevereiro 28, 2008

Estava vendo o Aberto de Buenos Aires, a semifinal entre Nalbandian e Acasuso e nada é mais chato que ver um argentino jogar no saibro. Não Nalbandian, que destoa da turma, o mais completo, mais versátil, mais talentoso. O resto é resto.
Nunca fui fã dos tenistas argentinos. São mais sólidos, mais competitivos que os nossos, mas como são chatos!
Tanto que nem acompanhei direito. Até por motivos profissionais (leia-se trabalho), mas desde que o Guga saiu e o Nadal não começa seu período de Rei do ano (a temporada de saibro, onde ele consegue os resultados pra se manter em segundo) eu não tenho tido muita paciência para ver jogos na terra batida. É sempre a mesma coisa: um bando de espanhol chato contra um bando de argentino chato trocando porradas de fundo de quadra e winner/erro. Não tem nada de novo.
Tenho preferido ver jogos em superfície dura. Onde tem isso tudo também, mas tem Federer, Djokovic, Tsonga e seus golpes tresloucados, o figuraça do Bagdhatis, Hewitt.
A coisa mais agitada que os argentinos fizeram foi o bate boca do Cañas (Mister Super Condicionamento) e o Carlos Berloq, que todos dizem odiar. Depois de uma partida catimbada (vejam vocês, um argentino – Cañas – reclamando de CATIMBA), Cañas disse poucas e boas na entrevista coletiva, até de lixo chamou o adversário. Aí depois veio a público se desculpas e pôs panos quentes.
Nem na polêmica os tenistas argentinos arriscam um drop shot.
Guga fora do ranking
Fevereiro 28, 2008

É, meus caros, essa é a notícia que ecoa em todos os sites de tênis/esportes de hj. Triste.
Chega a ser até emblemático, aquele que ficou a frente de todos, o décimo tenista da história a ficar mais tempo na liderança do ranking, agora ficar atrás. Nem atrás, é simplesmente n existir. Acho que é muito o retrato do tênis brasileiro. Ele hoje não existe.
Mas concentremo-nos no Guga. A explicação dele sumir da lista da ATP é simples (copy paste do tenisnews):
“Nesta temporada ele defendia a vitória conquistada sobre filippo Volandri no Brasil Open do ano passado. Como perdeu na estréia para Carlos Berlocq, tve descontados 15 pontos.
Os dez que lhe restam são derivados da vitória no ATP de Las Vegas (EUA) sobre o sul-africano Wesley Moodie. O torneio foi disputado no ano passado na semana do dia 26 de fevereiro e Guga terá o descarte nesta segunda-feira, dia 3 de março”.
O mais triste é que ele não deixa o ranking por vontade própria como foi com Sampras. Há algo de Agassi nesse fim de carreira. Assim como o americano, Guga não suporta mais as dores, não conseguiu ganhar delas. No caso de Agassi, a idade também pesou e ele parou na hora que deveria.
Guga não. Ele tinha aí mais alguns anos de vida útil não fosse o quadril. Mesmo com o problema, ele ainda poderia se sair bem em duplas, jogando em piso rápido, devido ao seu saque. Mas não deu. Resta agora esperar as próximas derrotas no seus últimos torneios. E agradecer.
Numa nota triste, só ouvindo Portishead mesmo pra ficar no clima.
Queda de sinal
Fevereiro 28, 2008
Muita gente tem reclamado que não pôde colocar comentários por aqui. Não faço a menor idéia do que esteja acontecendo. Esero que resolvam em breve.
Tá difícil…
Fevereiro 21, 2008
Depois de uns dias de folga, aqui estou eu de volta. Nem a minha passagem pela loja do Guga em Floripa me animou quanto ao tênis brasileiro. A situação é muito ruim e todo mundo trata como se fosse algo passageiro, uma entresafra, a espera de um novo “surfista do saibro”.
Bom, vamos ao que interessa:
Guga no Sauípe.
Não vi o jogo. Estava ocupado e confesso que não consegui prestar atenção no que estava fazendo pensando em como estaria nosso tricampeão de Rolland Garros. Mas, na verdade, eu achei depois até bom não ter visto. Que o Guga de hoje não é sombra do que foi anos atrás, isso está todo mundo cheio de ouvir, mas o que dá tristeza é a forma como ele vinha (não) jogando. Era muito sacrifício, a mobilidade que nunca foi o seu forte, estava cada vez pior e, com isso, sua segurança, seus golpes, até mesmo seu poderoso saque foram sendo minados. Mas não quis ver pois provavelmente ia dar um nó na garganta ao vê-lo chorar pedindo desculpas por não conseguir jogar mais.
Desculpas? Desculpas devem uma parte do povo brasileiro que não sabe tratar dos seus ídolos. Que na primeira derrota já coloca um peso sobre eles. E disparam besteiras “não joga nada”, “era só fogo de palha”. Já cheguei ao ponto de ouvir um idiota dizer que o Meligeni era muito melhor, só não teve a SORTE que o Guga teve.
Guga em 97.
Enfim, o Guga foi responsável por um dos momentos mais bacanas da minha vida. Em 97, morava em Juiz de Fora (não sou mineiro, mas fazia faculdade lá) e meu apartamento estava cheio de amigos que tinha ido do Rio para me visitar. Era um domingo de manhã. Ou seja, todo mundo meio que de ressaca, tínhamos dormido tarde. Enfim, o que todo jovem faz num sábado a noite.
Só que eu acordei cedo, tomei café e liguei a tv da sala. Não estava nem aí se ia acordar todo mundo. Por sorte, um dos meus amigos também jogava tênis e queria assistir ao que poderia ser um momento histórico do esporte nacional e das nossas vidas porque não? Afinal, estávamos acostumados a torcer para ídolos que não falavam a nossa língua. Ou no máximo, sofrer nas Copas Davis da vida.
E ele ganhou. Parecia que a gente tinha vencido uma copa do mundo de futebol. Dali, pensei, inutilmente, que o tênis brasileiro tomaria outro rumo. Tinha tido até uma ponta de inveja (branca, diga-se) de ver um sujeito com as mesmas condições que eu, mesma idade, chegando lá onde nenhum de nós poderia supor chegar.
Só que nada mudou. Vieram sim mais títulos, conquistas, grandes vitórias, mas e depois? Depois, vem o que está aí embaixo e que me dá certeza de que o nosso buraco não está nem perto de ser tampado.
Tenisbrasil:
Bellucci encerra jejum brasileiro de 7 meses sem vitórias em ATP
“Thomaz Bellucci conquistou em Buenos Aires a sua primeira vitória em eventos ATP, e de quebra acabou com o jejum brasileiro de sete meses sem vitórias na chave de simples em torneios de primeira linha. (…) A última vez em que um brasileiro havia anotado uma vitória em ATP foi julho do ano passado, quando Ricardo Mello derrotou o francês Gael Monfils em Indianápolis. (…) O nosso atual número 1, Marcos Daniel, não vence em ATP desde meados de 2006. (…) Em entrevista ao Tenisbrasil na Costa do Sauípe, Léo Azevedo afirmou que só imagina o garoto no top 100 no final de 2009.”
Esse é o nosso presente. Agora o que mais me chama atenção é o que vem a seguir, em outra matéria:
Bellucci fica satisfeito por campanha e ganha elogios de Chela
“O paulista Thomaz Bellucci parou na segunda rodada do ATP de Buenos Aires, nesta quarta-feira, mas ficou contente com a forma com que encarou o argentino Juan Ignacio Chela, atual 25º do ranking e com quatro títulos de primeira linha no currículo”.
Uau! Parece que ele perdeu para Bjorn Borg nos áureos tempos do sueco. Acredito mesmo que o Bellucci seja nosso principal nome no momento. Tem um grande potencial, mas para mim padece daquele que é exatamente o que o Guga não tinha: falta de ambição.
Já vem gente dizer: o garoto é novo! deixa ele jogar! e etc.
Ok, Nadal, Roddick, Hewitt, Djokovic e agora o Tsonga com muito menos idade já faziam estragos.
“Ah, mas esses são fora de série”, dirão outros.
Bom, quando eles apareceram muita gente apostou que logo, logo (tirando agora Tsonga que ainda tem um caminho a percorrer) iriam cair, sumir. Pois bem, tirando o Hewitt, que agora dá sinais de recuperação, os demais estão lá, firmes e fortes, consolidando a cada dia a posição no ranking. E sabem por que? Por que tomaram muita pancada no início. Perderam jogos, aprenderam com os erros e treinam muito. Tiveram contato com grandes tenistas desde cedo. Aprenderam a focar na vitória logo, a não admitir erros e buscar sempre a perfeição.
Aqui no Brasil é esse paradoxo. Tem-se muito cuidado, até exagerado na hora de burilar um garoto feito o Bellucci e quando ele chega lá todo mundo desde a porrada quando ele perde.
Ora, o que ele precisa é ir pros grandes torneios, tomar porrada, perder, fazer o que fez em Buenos Aires, encarar um tenista NADA DEMAIS e botá-lo para correr. Mas e agora? Ele provavelmente vai voltar para o Brasil, jogar um challenger aqui, outro ali, ficar se iludindo achando que ganhar de um 450º do ranking é bom.
Não é jogar o moleque às feras. Mas pegar uns 4, 5 garotos,financiar, dar suporte, buscar convites em torneios ATP. Até jogar torneios pequenos lá fora, mas sempre com o foco nos grandes. A experiência, o contato, a troca de informações é vital para a formação de grandes atletas. Por que Gugas não dão em árvores.
Senão, a gente vai ficar vendo Flávios Sarettas, Marcos “Daniels”, Thiagos Alves se gabando de conquistar challengers. Por favor, me poupem.
É difícil CBT?
Vai começar
Fevereiro 7, 2008
Só para ficar na vontade de estar no Grupo Mundial. Com destaque para Rússia e Sérvia pelo equilíbrio e pela surpresa Coréia que pega a Alemanha fora de casa.
Rep. Tcheca x Bélgica
Argentina x Grã-Bretanha
Israel x Suécia
Alemanha x Coréia
Peru x Espanha
Romênia x França
Áustria x EUA
Rússia x Sérvia
Precisa escrever?
Fevereiro 3, 2008

que Sharapova que nada…
O distante Brasil Open
Fevereiro 3, 2008
Em pleno carnaval vi uma chamada para o Brasil Open na tevê. Desde o primeiro ano do torneio eu nunca consegui achar muita graça nele. Para mim, eventos assim servem mais para os tenistas aproveitarem o sol do litoral baiano do que para jogar tênis. Se não for isso, alguém me explica os porquês do Moya ter perdido DUAS vezes seguidas na primeira rodada.
Nunca achei graça por que primeiro as chances atuais de um brasileiro ganhar o torneio são ínfimas (ok, o Guga ganhou duas vezes, mas em ambas já não estava no melhor da forma). Segundo por que, e para mim o maior problema, é disputado num lugar praticamente inacessível para o grande público.
Tênis no Brasil ainda é esporte de elite. Durante a transmissão de um jogo do Federer no Australian Open, o Paulo Cleto contou que a maioria dos top 10 já foram pegadores de bola na infância. E depois soltou o seguinte – muito pertinente – comentário:
“Vocês imaginam isso aqui? O que acontece é o pai de um jovem tenista dizendo ‘meu filho ser pegador de bola?’”.
Pois é.
Torneios feito o Brasil Open jamais poderiam ser jogados num lugar como o Sauípe. Se é urgente uma renovação do tênis nacional, isso passa pelo contato de crianças com nomes importantes do esporte. Eu sempre me questiono porque o torneio não é disputado em uma capital, ou cidade grande do país. Isolado na costa baiana, ele é um artigo de luxo para poucos que podem pagar o pacote. Assim como era no finado GP de Itaparica.
Agora imaginem BO sendo jogado em São Paulo, Rio de Janeiro ou Porto Alegre? Mais público, mais interesse da imprensa. Imaginem, também, uma promoção ainda de uma academia de tênis ou de uma escola pública? Num dia, levariam os alunos para sentir o clima de um torneio, explicando que estão ali nomes de peso do cenário internacional, que o Nadal e o Guga já foram campeões, e etc. Posso estar sendo ingênuo, mas acredito mesmo que o impacto seria bem maior, despertaria mais a curiosidade das crianças e, quem sabe, a vontade de praticar o tênis.
Pode ser utópico, mas longe como o Brasil Open está hoje em dia, não presta para um dos que deveria ser seu papel principal, que é ajudar a difundir o esporte no Brasil.
E continuemos a rezar para aparecer outros fenômenos como Guga e Maria Esther Bueno.