Maluquice

Novembro 27, 2009

É, pra variar eu erro minhas previsões. Eu já deveria saber que o Murray ia amarelar – de novo. Mas quem poderia imaginar o Soderling jogando o que tá jogando?

Sei não. O sueco tem tudo pra ganhar o Masters.

Chegou como convidado e pode roubar a festa.

Esperança

Novembro 18, 2009

Outra boa notícia desta semana foi o anúncio da parceria Marcelo Melo / Bruno Soares. Melo é um excelente duplista e vinha fazendo um bom trabalho com o André Sá. Mas, após a bela campanha do ano passado, foram muito mal em 2009. Até perder para os irmãos Lapenti na Davis em casa, eles conseguiram. Estava na cara que era a hora de mudar.

Acredito que essa nova formação será ainda mais bem sucedida. Nunca vi o Bruno jogar, mas pela moral, ranking e resultados provavelmente seja melhor jogador e duplista que Sá. Não a toa que foi escolhido por Kevin Ullyett, um dos maiores duplistas dos últimos anos, para ser parceiro dele na temporada de despedida.

A equipe da Davis só tem a ganhar com isso. Pena que ficamos de fora do Grupo Mundial justamente no duelo mais fácil.

O bicho vai pegar

Novembro 18, 2009

Esse Masters vai ser de matar. A divisão dos grupos mostra que se Federer e Nadal quiserem algo vão ter que suar e muito. O suíço, irregular há muito tempo, encara Murray, Del Potro e Verdasco. Enquanto que Nadal, ainda longe de estar 100% fisicamente, pega Djokovic, que o surrou em Paris, Davidenko – mesmo chatíssimo, joga duro – e Soderling, esse vai sair faísca, pela antipatia mútua e pelo fato do sueco ter tirado a invencibilidade do espanhol em Rolland Garros.
Apostas?
Murray e Federer (nessa ordem)
Djokovic e Davidenko. Nadal fora.
Veremos se a minha furadíssima bola de cristal acerta.

Primeiro acerto “em” 2010

Novembro 18, 2009

Os argumentos eram fortes: possibilidade de título, subida no ranking para talvez ser cabeça de chave no Australian Open, jogar em casa, etc. Mas parece que prevaleceu o bom senso e Thomas Belucci não vai desistir dos torneios ATP 250 de início de ano para disputar o challenger de São Paulo.
Se o brasileiro, que fechará o ano como 36º devido a esse sistema maluco de pontos da ATP, quiser estar entre os grandes, é preciso jogar contra eles. Isso não é novidade para ninguém, certo? Ficar jogando torneios de menor expressão para fazer pontinhos aqui e acolá é coisa de quem está começando e não quem quer ficar entre os 40, 30 do mundo. Basta ver que, salvo alguém que seja eliminado precocemente em algum torneio e queira se manter em atividade até o próximo, é muito difícil tenistas nessa faixa do ranking jogarem challengers.
Por isso, considero acertadíssima a decisão da equipe técnica do brasileiro. Mesmo que perca e não chegue a ser cabeça de chave na Austrália, vai pegando (eu acho que já devia estar nessa há mais tempo) a manha contra os melhores.

Chega do nosso complexo de vira-lata no tênis.

Se você quer crescer, jogue contra eles.

Só sobraram os chatos

Novembro 11, 2009

Digam-me: quem no circuito tem 1/100 do carisma do Marat Safin? Quem é capaz de dar declarações que fogem totalmente do lugar comum e dar sua real opinião sobre o que acontece no mundo do tênis?
Eu digo: ninguém.
O tênis fica muito mais chato e sem graça com a aposentadoria do russo. Com apenas 29 anos ele agora vai se dedicar ao que mais gosta: farrear e sair com mulheres bonitas. Afinal, dinheiro ele tem de sobra.
A retirada precoce dele das quadras mostra o quanto o circuito do tênis é cruel com o ser humano. Eu diria até o esporte de alto nível hoje em dia.
Aposto com quem quiser que, dos 10 primeiros colocados no ranking, quase todos não pensam – se não em aposentadoria – em pelo menos umas férias bem longas. Só que todos têm seus compromissos e diria até falta de coragem de assumir uma postura como a de Marat.
O russo me lembra muito o caso do Zidane. Craques, mas que se encheram das cobranças excessivas e da pressão que envolve o mundo dos negócios, opa, dos esportes.
Vai deixar saudade. Jogava demais. O mais talentoso da sua geração e que se tivesse cabeça faria frente a Roger Federer tranqüilamente.
O tênis fica mais chato a partir de hoje.

Djokovic (quase) perfeito

Novembro 9, 2009

Em tempo. Aí embaixo comentei sobre uma vitória do Federer sobre o Djokovic. Ontem foi o troco em altíssimo nível. O sérvio jogou de forma inteligente e foi taticamente quase perfeito e venceu o suíço em casa. Se bem que com aquela torcidinha safada, parecia que estavam em “campo neutro”. Suíça, né?

O Masters 1000 de Paris marca a despedida de dois dos tenistas mais sui generis do circuito. Um é reconhecido pela extrema técnica, apesar de nunca ter vencido um torneio de Grand Slam, por exemplo, e por ser um dos raros que batem tanto o forehand como o backhand com as duas mãos. O outro, por sua vez, já foi número 1 do mundo, ganhou Grand Slams, foi o primeiro grande adversário de Guga no saibro (quem não se lembra da final sensacional entre os dois em Hamburgo? Se não me falha a memória). Mas perdeu o tesão. Encheu o saco de viver “confinado” no mundo do tênis e – notório boêmio – resolveu se aposentar aos 28 anos infelizmente. O tênis vai ficar muito mais chato (do que já está sendo atualmente) sem Fabrice Santoro e Marat Safin.

O troco

Novembro 9, 2009

Em tempo. Aí embaixo comentei sobre uma vitória do Federer sobre o Djokovic. Ontem foi o troco em altíssimo nível. O sérvio jogou de forma inteligente e foi taticamente quase perfeito e venceu o suíço em casa. Se bem que com aquela torcidinha safada, parecia que estavam em “campo neutro”. Suíça, né?

Tenho trabalhado tanto que quando penso em escrever algo aqui dá uma preguiça danada. Queria ter um aparelho que “digitasse” meus pensamentos, pra eu não ter que sentar e sair escrevendo.

Mas diante do que aconteceu nos últimos meses, precisei botar no papel tudo que eu venho pensando.

Vamos nessa.

 

Copa Davis.

Foi um vexame. E que me desculpem os gaúchos, mas que torcidinha chocha. Claro que não por isso que perdemos, mas não vi um minuto um clima de Copa Davis. Aquele que a gente está acostumado a fazer: calor intenso, barulho e animação. Do outro lado da quadra estava dois tenistas que não tem mais expressão no cenário mundial. Giovanni Lapenti é jovem, alto, lento, irregular. E mesmo assim o Daniel sofreu pra ganhar dele. Jogo ruim demais. Depois, o Nicolas, experiente, quase aposentado. Deu uma aula de como se joga a Davis. E venceu os três jogos que disputou. Inclusive da nossa “ex-melhor” dupla, que desandou de vez.

Mais uma vez os comentários antes eram de “3 x 0”, “vamos voltar ao Grupo Mundial”. Mas se esqueceram de que esse mesmo time venceu a Grã-Bretanha na grama de WIMBLEDON.

Duvido que tenhamos uma chance tão clara de voltar no futuro próximo.

 

Agassi.

Eu sinceramente ainda não tenho opinião formada. É complicado quando se trata do seu ídolo mor de infância. Nem quando o Guga jogou duas vezes contra ele, e venceu, eu consegui ficar feliz e torcer pro brasileiro. Tinha a mesma raquete (até hj só uso Head), mesmo tênis, mesmo jeito de sacar (tive que mudar com o passar do tempo por questão de adaptação), bater a esquerda com as duas mãos… Enfim, copiava o cara mesmo.

Aí ele vem a público agora dizer que já consumiu drogas, durante o ano de 1997 inteiro e que já usou peruca em Rolland Garros. Será que é só pra fazer marketing da biografia? Duvido.

Vamos aos fatos: 97 o Agassi vivia sua pior fase como jogador. E na vida pessoal também. Por mais incrível que possa parecer, a vida com a Brooke Shields só trouxe problema para ele. Agassi chegou a sair do grupo dos 100 melhores e esteve perto de se aposentar.

Aí queria fazer uma ligação com o caso da peruca.

O cara era o garoto propaganda da Nike. Além disso, era o cara que tinha chegado para virar o tênis de cabeça pra baixo. Era o moleque abusado que pulava a rede quando ganhava as partidas, usava roupas coloridas, cabelo grande, cuidadosamente desgrenhado, brincos… Enfim, era o anti-herói do tênis. Treinado por um sujeito conhecido por levar seus pupilos às alturas, era muita a pressão sobre Andre Agassi naquele momento. Qualquer um bem assessorado não veria problema algum em dar aquela raspada no cabelo e assumir a recém começada calvice. Mas não me parece que era o caso. Ele ainda carregava a imagem do “menino rebelde”. E meninos rebeldes não têm problema de calvice. Teoricamente.

Voltamos pro caso do Speed.

Eu fico pensando na pessoa. Ele não usou drogas para melhorar o desempenho na quadra. É só ver por ele andou no ranking naquela época. E é por isso que me dá tanta raiva ver o monte de besteira que foi dita e escrita. Ele usou por que teve um momento de fraqueza, como todos nós temos. Ninguém aqui sabe o que se passava pela cabeça dele naquele ano.

Foi errado? Foi. Um atleta, ainda mais no caso dele, tem que dar o exemplo? Óbvio. Mais do que punição, eu acho que o caso merece uma reflexão mais do que profunda sobre a pressão que envolve hoje (hoje, entenda-se desde que o esporte virou uma máquina de fazer dinheiro) os atletas de alto rendimento.

Muitos vão dizer que todo mundo passa por problemas e nem todos usam drogas como “escapismo”. Sim, cada um lida como consegue. Nesse caso, além de uma questão social, é uma questão também sobre até onde pode ser possível fazer um ser humano chegar. Os limites de cada um e como lidam quando eles são ultrapassados.

São muitas questões aí. Entre elas, a conivência da ATP com o caso. Conivência não. Eu diria que ela foi relapsa. Pois teve ciência que um dos mais carismáticos e, por conseqüência um dos tenistas que fez o esporte crescer em popularidade, estava com um problema grave e não deu a devida assistência. Seja ela qual fosse. Até uma licença com ranking congelado para que ele pudesse cuidar da vida longe da pressão e restabelecer seu ponto de equilíbrio.

Se isso acontece com um astro consagrado, imagina o que pode fazer com um garoto que abandonou a família em busca de virar um profissional?

O problema agora é que todo mundo, inclusive a inócua Wada (a agência antidopping que só aparece na conseqüência, nunca na causa) quer dar seu pitaco. Ela que saiu esbravejando.

Não sei, posso estar sendo parcial, pelos motivos citados no começo do texto. Mas eu acredito que nesse caso (totalmente diferente do caso Gasquet) o ideal era discutir os fatores que fazem um dos maiores tenistas da história a tomar decisões tão estapafúrdias (em relação a peruca) e tristes como no caso do Speed.

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Fed is back! (?)

Agosto 23, 2009

Não vou dizer que foi um massacre, por que, no segundo set, o Djokovic deu trabalho, teve uma quebra a frente. Mas foi daquelas vitórias de encher os olhos. Deu pra sentir ali que Roger Federer teve uma atuação que lembrou os melhores tempos do número 1 do mundo. O primeiro set deveria ser usado em aulas teóricas de tênis. Mudanças de velocidade na bola, de direção, frieza nos momentos que poderiam se tornar complicados… Enfim, Federer mostrou que ainda há aquele tenista de 2003/2004 dentro dele. 

Vamos ver agora no US Open, que já de cara tem um favorito. Resta saber se esse Federer de hoje vai aparecer em Flushing Meadows.